









Armando Mattos
Rio de Janeiro, 1957Agua-forte e Agua-tinta s/ papel Mino em caixa de acrílico
Artista emblemático do período que ficou conhecido como Geração 80, Armando Mattos participou da histórica exposição realizada no Parque Lage, no Rio de Janeiro, com uma instalação site-specific que sintetizava os ideais de liberdade e experimentação do momento.
Na ocasião, o artista ocupou a piscina da Escola do Parque Lage com uma ação poética e efêmera: balões recheados com gravuras foram soltos e, ao longo do dia flutuaram livremente pela cidade, sendo reencontrados em diferentes bairros. O objetivo da obra era promover um encontro casual entre a arte e o passante, espalhando a criação para além dos muros da instituição — uma metáfora da descentralização e da democratização da arte que marcou toda uma geração.
A obra ora apresentada é histórica. Trata-se da caixa que acondiciona as gravuras executadas especialmente para aquele projeto dos anos 1980, conferindo à peça um valor documental e afetivo inestimável. A caixa, no entanto, não é mero receptáculo: nela, Armando Mattos dá continuidade à sua investigação poética sobre a matéria, o gesto e o senso interventivo, sensorial e performático. Ao amassar o papel e acondicioná-lo em um espaço delimitado — a caixa —, o artista subverte o suporte tradicional da gravura, deslocando a técnica do campo bidimensional para o tridimensional. O que era impressão torna-se volume; o que era superfície, torna-se objeto escultórico.
Sem abandonar os recursos que lhe são caros — o papel, a reprodução , o gesto —, Armando transita entre linguagens e faz da caixa um corpo, uma obra que guarda em si a memória do gesto original e a potência do encontro com o outro. Mais do que um arquivo, a peça presentifica a ação passada e reafirma a vitalidade de uma poética que, décadas depois, segue em movimento.
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