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Sylvio Pinto
Sylvio Pinto nasceu no Rio de Janeiro em 17 de março de 1918 e faleceu na mesma cidade em 3 de abril de 1997. Sua personalidade se confunde com a própria alma carioca e sua obra é o retrato, em corpo inteiro, da Cidade Maravilhosa. No Rio de Janeiro, ele foi decorador de carroças e charretes, presidente de escola de samba, vibrou com os desfiles da Mangueira e viveu como poucos a boemia.
Logo na adolescência, passou a dedicar-se com interesse à pintura em tela, incentivado que foi por Armando Vianna. Mais tarde, fez amizade com o grande marinhista José Pancetti, uma das grandes amizades que conservou pela vida inteira e de quem sofreu forte influência, visível em muitas de suas obras.
No início os anos 30, juntou-se ao Grupo Bernardelli, com Pancetti, Bustamante Sá, Malagoli, Milton Dacosta e outros, valendo-se todos da preciosa orientação do mestre Manuel Santiago.
Seu trabalho somente começou a ser notado a partir de 1951, quando participou da 1ª Bienal de São Paulo e especialmente em 1952, quando, expondo no Salão Nacional de Belas Artes o quadro Ladeira em Santa Teresa, ganhou o cobiçado prêmio de viagem à Europa.
Em 1953, Sylvio Pinto reúne sua mulher Esperança e seus quatro filhos e viaja para Portugal, onde conhece o poeta Olegário Mariano, embaixador brasileiro naquele país. Depois, atravessa as fronteiras, vai a Madri e Toledo, corta os Alpes e chega até Roma, visitando ainda outras cidades italianas notáveis.
Pelo Norte da Itália, entra na França e segue para Paris, onde se encontra com Inimá de Paula (1918-1999) que, como ele, aproveitava um prêmio de viagem.
No ano seguinte, está de volta ao Brasil, com um apreciável acervo de quadros pintados na Europa, e com o nome já em evidência no Rio de Janeiro, onde reinstalou seu ateliê.
Não era tudo o que ambicionava. Queria conhecer as belezas naturais do Brasil e, em 1955, já conquistava o prêmio de viagem ao país, o qual lhe deu oportunidade de conhecer e retratar as paisagens das cidades históricas de Minas Gerais, visitar a Bahia e percorrer outros Estados nordestinos, voltando com mais uma série de quadros, desta vez só com a temática brasileira, que preferia pintar de preferência a qualquer outra.
Marinhista de primeira mão, Sylvio Pinto foi acusado por alguns críticos de nunca haver se desvinculado da tutela de Pancetti, seu amigo e sócio de ateliê. Com efeito, é expressiva a semelhança de estilo entre os dois pintores, o que se deve principalmente ao fato de os dois trabalharem juntos, assimilando um e outro os macetes e detalhes pictóricos do sócio.
Há, entretanto, um afastamento notório na concepção e no estilo, quando Sylvio Pinto se dedica a outros gêneros, momento em que sua pintura se torna marcadamente pessoal. Nesse ponto, aliás, ele foi além de Pancetti, experimentando todos os gêneros e algumas escolas diametralmente opostas, como o Impressionismo e o Abstracionismo, sem contudo incluir esses estilos no seu dia-a-dia.
Desde seus primeiros quadros, na década de 30, até sua morte em 1997, Sylvio Pinto registrou uma trajetória de mais de meio século em atividades artísticas, passando a ser um referencial importante e imprescindível da pintura no Brasil.
(Texto de Paulo Victorino)
Fonte: Pitoresco
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