Carlos Balliester
1870-1927
Pintor e desenhista. Assinava C. Balliester. "Carlos
Balliester, discreta figura de pintor de marinhas, pouco
aparece na literatura Artística brasileira e
sua biografia é quase desconhecida. Não
transitou pelo ambiente de arte, nem participou da política
artística do Rio onde se radicou. Não
se sabe ao certo sua naturalidade, contribuindo ele
mesmo para isto, pois, por várias vezes, nos
catálogos das Exposições Gerais
aparece como carioca (1896, 98, 99, 1902 05), mas nos
de 1916 e 19 é dado como pernambucano e, no de
1925, consta naturalidade brasileira. Há quem
o dê da Paraíba. Nasceu em 1970. Sua origem
e formação são obscuras. Uma coisa
certa foi sua paixão pela marinha, sendo que
freqüentava o ambiente carioca com bons relacionamentos.
Laudelino Freire cita-o como um dos novos (1916). Estreou
na II Exposição Geral de Belas Artes em
1896, dizendo-se discípulo de Auguste Petit...
Sua presença nas exposições não
foi continua, só voltando em 1916... quando mereceu
uma Menção Honrosa de Primeiro Grau. Retornou
em 19 com sua temática dileta - o mar... Nova
pausa até 1925... sua última apresentação.
Convivendo no ambiente da Marinha e relacionando-se
com várias autoridades, nele vendia as suas produções,
principalmente as que representavam navios. Especializou-se
no gênero, tornou-se um documentarista, dando
muita importância à precisão náutica,
adquirida no convívio com entendidos. A maior
parte de sua obra encontra-se em repartições
da Marinha... possuindo o Museu Naval e Oceanográfico
uma dúzia deles... Seu relacionamento com as
altas autoridades facilitou-lhe encomendas da Marinha.
Hoje em dia Balliester aparece freqüentemente na
leiloaria carioca, valorizado pelo colecionismo... Gastão
Penalva, que conheceu, em 04/09/1981, no Jornal do Brasil,
escreveu sobre o artista uma página sentimental.
Dele diz: "Nome estrangeiro, em tipo brasileiríssimo.
Alto, magro, grisalho, olhar vivo, profundo, através
das lunetas verrumantes de míope, aspecto tímido
na roupa usada de funcionário modesto, no jeito
humilde com que saudava a gente no caminho". E
mais adiante: "Sua paixão era a marinha
de guerra. Não houve nau de seu tempo que ele
não houvesse pintado. Sem os arreios genitais
de um De Martino, porém, de vôo curto e
seguro pelas escadas mais baixas. Contentava-se em copiar
com argúcia e reproduzir com exatidão.
Nunca esboçava a esmo, por fantasia, sem prévio
estudo do modelo, apavorado de algum erro técnico>
Para isso, conhecia a Marinha em peso". E ainda:
"Em pouco Balliester se tornou mestre no assunto.
Sabia tudo. Conhecia de perto a arrevesava terminologia
marítima, do velame ao massame das mais complexas
galeras..." (texto publicado no livro Rio Antigo,
de Paulo Berguer e outros, Rio de Janeiro, 1990).
VOLTAR
|